Oração ao pós-humano

Ó, Grandessíssimo Doutor,

Lâminas de massa grisada
expõem meu espírito plástico
refeito e afeito às curvas
dum Guggenheim de Bilbao

Do pós-tudo ao pós-humano,
da síntese ao biossintético,
decanto Teu tesouro nanométrico
a ansiar pela vinda do emplasto
que há de recauchutar telômeros,
reeducar proteínas e sinapses
sem o ranço da eugenia, afinal,

E,

Naturalmente,

Usaremos redes sociais para trocar
endereços de clínicas genômicas
como quem no arregaçado século 20
buscava cremes e águas sulfurosas,
naquela era de fabulosa inocência,
de pierrôs indóceis com pouco viver
e tanta utopia tóxica coada no tempo,

Tempo que agora alarga o caminho
da suprema fé no futuro tecido ponto
por ponto da descompostura do ser,
que constitui o poder e a glória
na hígida Substância do Teu reino,

Amém.

 

Antônio Siúves in "Moral das Horas" (Manduruvá, 2013), p. 83.
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