Gil & Caetano, decantados no sertão da pauliceia pelo grande midas Nizan, contra a carniça existencial e moral que nos entala

Ao pé desta ouverture cabocla vão trechos do artigo do midas publicitário baiano Nizan Guanaes oferecido à nação pela Folha de S.Paulo, nesta terça-feira, 1º de Setembro do ano da graça de 2015.

Sim, temos a mandioca (Manihot esculenta) e temos Gil & Caetano (“dois patrimônios da humanidade intombáveis”: peço licença poética para esse aposto e sic e teaser a um tempo) para nos salvar das misérias que nos açoitam há quinhentos e poucos anos e vão de genocidas de índios ao Petrolão do PT e à crise-carniça moral & existencial que empesteia tudo por todo lado agora.

Sim, precisamos do nosso maior Einstein da comunicação de atacado e varejo (que os temos à mancheia), deste truste-feito-carne, para —num texto puro poema concreto, lotado de palavras-valises que supera as artes dum Augusto de Campos, dum Chico Buarque, dum Luís Antônio Giron, dum Washington-Olivetto- vendendo-Brastemp-vendendo-Du- Loren-e-vendendo-Cofap-como-quem-compõe-um-quarteto-de-Beethoven— nos resgatar da mediocridade de franquias Mcdonald’s que incorporou os cadernos de cultura —dos ilustríssimos a um humilde caderno B de Quixeramobim— e nos quais o caderno Mercado (economia) aplica um quinau.

O Brasil é isso, nhanhã. Cesse tudo que os antigos Dorival, João Gilberto, Villa-Lobos e Pixinguinha cantam. A grande musa da propaganda se alevanta para nos passar na cara o valor que os cavaleiros de belíssimas figuras e impolutas almas, dons Quixotes do Recôncavo e do mundo todo Gil & Caetano generosamente emprestam e entregam e sacrificam à nossa pequenez nambiquara.

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Caetano e Gil

Escrevo este artigo ainda sob o impacto do antológico show de Caetano e Gil. Chego ao teatro morto, com o corpo doído e tenso, como ele costuma chegar todas as sextas-feiras após cinco dias lidando com a crise.(…)

Mas aí entram eles, dois jovens de mais de 70 anos, para apresentar uma obra de 50 anos feita à mão.

A cada canção, um órgão do meu corpo ressuscita. Os pelos do braço morto dão sinais de vida e se arrepiam, o coração volta a bater, o peito se enche de orgulho e destrava as costas cheias de Dorflex. Os dois ali sozinhos são uma orquestra, um coral e um corpo de baile. São tudo.
(…)
Estamos diante de uma brasiliana, uma biblioteca musical imensa. Dois patrimônios da humanidade intombáveis, que chegaram aclamados aqui hoje, mas que foram perseguidos, exilados, caçados e cassados por todo tipo de preconceito, burrice e caretice Duas criaturas femininas, mas dois lutadores de UFC na hora de brigar pelo que acreditam.
(…)
Somos um país de muitas riquezas naturais —Caetano e Gil são duas delas.(…)

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