Exposição em PL [14/ “21 Poemas”]

Como um raio de sol
No cerne seco do dia,
O som de um vinil
Penetra e tonifica almas
Que cambalhotam ao vento,
Qual pétalas no tempo.

Girarão entre destroços
País afora, por galáxias,
Enquanto a ruína se queima
Com a chama da alegria,
Travessia pela ponte dourada
Entre o ontem viçoso
E a palhada do dia:

Eis o mundo que se presta,
Eis o mundo prestante,
O esplendor do viver.

Lá estavam agora
Horacinho e Belga,
Canário frágil, docinho,
Olhos negros gravados
No vidro verde do vinho,
A nos acalentar o LP de Ednardo,
À tardinha,
Antes da exposição em PL.

A vida aqui tem razão?,
Me indago, enquanto
Belga entorna pepitas,
Contas de âmbar ardem
No côncavo da mão lívida,
Alçam o medo na hora,
No cômodo da covardia.

Logo comparsas
Compartem o botim,
O bote no papo,
Parêntesis;
Entram no tubo da onda
De puro licor rubi;
Afundam na crista
Até o fim, batem
No osso —ascese
No baque—,
Odisseia,
Passagem, entretanto,
Ínterim.

[14/ "21 Poemas" - antônio siúves - 2016]
Rothko-Mural-1024x945 Seagram Murals
Mark Rothko (da série Seagram Murals)
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