A grande campeã do FEBEAFÁ

Febeapá1

A vencedora é uma senhora doutora em comunicação social,
docente de prestigiada universidade pública.

O FEBEAFÁ (Festival de Besteiras que Assola o Facebook) segue em ritmo de avalanche. A cada dia que antecede o impeachment, seus contendores demandam mais e mais espaço nos servidores das organizações Zuckerberg.

Não era justo eleger cem ou mesmo mil contribuições entre as mais criativas do ondão apocalíptico. Seria tomar o conteúdo dum conta-gotas por amostra do tsunami.

Preferi pinçar no “feis”, como se diz em pronúncia espanholada, uma espécie de síntese genial da psicose coletiva.

Como já disse aqui, há quem enfie no feis 300, 350 posts diários, com intervenção da mais perfeita ignomínia. Ou apenas para difundir com frenesi o lixão catado no submundo da internet.

Este blog destacou como 1º lugar, uma, com o perdão do vocábulo, dejeção, monumental, astronômica, inesquecível.

A campeã do FEBEAFÁ é uma senhora doutora em comunicação social, docente de prestigiada universidade federal.

Pode-se dizer com razoável certeza, atestada por seu inatacável currículo Lattes, que a frasista laureada sabe muito bem o que diz e produz.

Eis o petardo ganhador: “A tentativa de golpe é da elite branca, rica, corrupta e que quer devolver o trabalhador para a senzala!”

Coitados de seus alunos!, pensei.

Sim, senti compaixão por quem, para formar seu intelecto, dependa de um cérebro capaz de formular enunciado desse teor. Desgraçadamente, conheço bem essa história.

Seus alunos estarão entre as vítimas da máquina de engessar cabeças que opera em moto contínuo nos departamentos de ciências humanas das universidades brasileiras, onde bibliografias inteiras de conteúdo não puramente ideológico são escamoteadas ou ignoradas, ainda hoje, há quase 30 anos da queda do Muro de Berlim.

É óbvio que a lucubração, por ignóbil, não merece nem pode ser contestada, do mesmo modo que não se pode contestar a voz alheia que atormenta a mente esquizofrênica. Contra esse mal, aplica-se a farmacologia psiquiátrica.

Não se deve, entretanto, deixar de notar que nossa heroína traz alusões à libertação do povo pelo Grande Guia, além de uma acepção essencialmente racista da sociologia. Se a elite é “branca”, o trabalhador oprimido que voltará à “senzala” com a ruína do partido que o representa, o que será? Ela não diz.

A esquerdofrenia, como diria Décio Pignatari, aqui se manifesta na tutela do “povo trabalhador” por quem se crê porta-voz da redenção de oprimidos sem cidadania, desprotegidos e incapazes de agir por si mesmos, inclusive votar com consciência sem receber agrados de bolsa isso e bolsa aquilo.

Nossa mestra evoca um misterioso intuito da “elite” caucasiana nambiquara de realizar a travessia inversa do povo libertado, da terra prometida, onde jorra o leite e o mel, para o deserto da fome, de volta aos grilhões da escravidão perpetrada por faraós.

Tais faraós brancos são corruptos!, nos diz a doutora, com dentes rilhados e olhos rútilos.

Oh razão, mistério, eis que a verdade se desata, parafraseando com a devida vênia o poema drummondiano. Contasse com o auxílio de certos comparsas da elite postos no xilindró pela Lava a Jato, como o portentoso faraó Marcelo Bahia Odebrecht, segundo de sua dinastia e companheiro do Grande Guia, bastaria um sopro dessa nobreza sobre o Palácio do Planalto para que o governo implodisse. Pena que a elite esteja desfalcada.

—***—

De volta à razão, o fato de a queda do governo se dar por um mecanismo democrático, inscrito na Constituição, é sumariamente ignorado pela guerrilha virtual.

O guerrilheiro virtual é um ser ilhado, deslocado no tempo e no espaço, cercado de conspiração por todos os lados. É um iluminado pela verdade desde sempre.

Que tais conspirações resistam à lógica ginasiana (noções de conjunto) não é problema, antes reforça o ânimo do combatente virtual de capa e bandeira vermelhas.

Para o resistente das redes, municiados por revelações extraídas em fábricas clandestinas, está em curso uma terrível conspiração para derrubar o governo.

São conspiradores, segundo nossos impolutos, a Polícia Federal, o juiz Sérgio Moro, o Ministério Público, parlamentares de oposição, ministros do STJ e STF (todos “acovardados”, conforme o Grande Guia), empresariado, imprensa e a população “coxinha” que se veste de verde e amarelo para protestar nas ruas.

Seria o caso mesmo de a presidente invocar o estado de sítio, como sugeriu Demétrio Magnoli na “Folha de S.Paulo”, mas vivemos numa democracia até aqui imune a golpes bolivarianos.

Pois soa golpista, isto sim, a revolta contra a própria democracia e a imprensa, o mandar às favas as instituições e o que dizem (e demonstram) os procuradores do Ministério Público, a exemplo do que se explica (e se desenha) nesta entrevista a “O Globo” do procurador Deltan Dallagnol, coordenador da Lava a Jato.

Não entregue a rapadura!

Nada de perder a paciência com a desonestidade intelectual que ataca a ordem constituída com acusações falsas e raciocínios torpes.

Vamos dar risadas, se possível, do FEBEAFÁ, e torcer para que milícias invocadas aqui e ali por líderes do governo e do PT, convocadas para a guerra, não descambe em violência nas ruas.

Paz, amor e Constituição para eles!

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4 comentários em “A grande campeã do FEBEAFÁ

  1. Horrível esse seu texto. É equivocado de cabo a rabo e ainda instila seu veneno de ódio ao pensamento de esquerda, qualquer que seja ele. Toda demonização de qualquer coisa sempre parte de mentes doentias que perderam o contato com o real. Seu ódio à esquerda, na companhia de Pinhatari , cheira a uma espécie de inquisição cujo único objetivo é desacreditar quem quer que mostre qualquer tendência de esquerdismo. Infelizmente você enveredou por esse caminho tortuoso e cheio de preconceito contra a universidade, o que é próprio do nazismo e do fascismo. (Eles queimavam livros em praça público). Estou esperando a hora em que você vai propor queimar a Marilena Chauí na Praça dos Três Poderes em Brasília, certamente com o seu ídolo FHC ao lado. Que pobreza, senhor Antônio.

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