O lulopetismo e o baseado dos intelectuais

Ou, ô, Marilena, eu tô mandando o “Bessias” aí com um suprimento da lata!

O marxismo deu a “ilusão da onipotência” a seus fiéis, por meio da ideologia, diz Raymond Aron em “O Ópio dos Intelectuais”.

Aron é um dos autores que integram o índex das ciências humanas no Brasil ainda hoje, como Arthur Koestler, Alexander Soljenítsin e Leszek Kołakowski.

Tal chave, a ideologia, para interpretar a História e a política, é mais, bem entendido, justa e precisa que a fé em deus, e muitas vezes fatal para a inteligência.

O “abra-te, sésamo” ideológico aleija a autonomia de ler e pensar e destrói a capacidade de alguém aceitar a divergência como legítima.

O ser que concebe o mundo ideologicamente sempre olhará para a democracia pelo rabo do olho.

Tal é a fonte onde viceja a pletora de arranjos contrafactuais que agora vemos para explicar a derrocada do governo, com teorias da conspiração e golpismo.

Já, já chego à mais acachapante e bestial de todas essas invenções, sobre os poderes transcendentais do juiz Sérgio Moro, formulada pela filósofa Marilena Chauí.

Em minha época de faculdade de jornalismo, professores alinhados iniciavam seus alunos no abracadabra marxista  com o livrinho de bolso “O que É Ideologia”, da doutora Chauí, editado pela Brasiliense. Era o pontapé inaugural para a formação de um futuro comunista, quem sabe petista.

Jamais tínhamos acesso a críticas sistemáticas ao marxismo, como as que escreveram os autores citados, ou podíamos conhecer, de maneira orientada, o legado do liberalismo, exceto por iniciativa própria e alguma rebeldia.

O opúsculo da Chauí virou uma espécie de suma teológica do esquerdismo, vulgata marxista para quem tem preguiça de ler e curte um resuminho xerocado.

O leitor dessa  fórmula mágica e barata, jovem adulto indefeso no caminho de Damasco, sem se esforçar muito, quase por osmose sente o advento e recebe o viático.

Toda falsidade por trás da densa e bela cortina com a qual o capitalismo recobriria a luta de classes e a servidão dos trabalhadores, é desvelada.

A ordem que estava de ponta-cabeça é colocada de pé; a retina ignorante que enxergava apenas as sombras da caverna começa a entender as engrenagens do mundo.

E não entende nada.

A pitonisa Chauí segue a apascentar seus cordeirinhos. Volta e meia, em assembleias da USP ou congressos financiados pelo PT, ela oferece aos discípulos sermões iluminados e contundentes.

Diante da verdade proclamada, a audiência em êxtase mal se contém para reproduzir o que ouve nas redes sociais e rodas de chope.

Pois, ontem (29),  em ato contra o impeachment na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, lê-se na “Folha de S.Paulo”,  a Circe do petismo soltou este juízo espetacular:

— Por que Moro tem tanto poder? Porque serve a dois objetivos: entregar o pré-sal para companhias norte-americanas de petróleo e enfraquecer o Mercosul.

Então os ianques vão abandonar o seu gás de xisto, as liquidações de óleo no oriente médio para tomarem nosso caro pré-sal?

Ôrra meu. Estaria o fumo cerimonial uspiano estragado?

E quanto a “enfraquecer o Mercosul”? Aí houve um lapso, por certo. A mãe de santo do esquerdofrenismo verde amarelo, pretendia, quero crer, dizer o contrário.

Afinal, o Mercosul não existe. Se passa a existir e, fortalecido, se equipara à Aliança do Pacífico, por exemplo, talvez ajude a livrar a América do Sul do pesadelo bolivariano.

Vê-se que o ópio da imagem de Aron é um alucinógeno muito afrancesado, muito sofisticado para o patoá esquerdista brasileiro. Nada de decantar a linda flor da papoula. Sejamos nacionalistas.

O baseado, rasteirinho, comezinho, fraternal, disponível no formato de “buchas” em bocas de fumo operadas por miseráveis excluídos das benesses da pátria educadora, é mais apropriado aos intelectuais petistas.

Encerro essa nota dedicando uma canção singela à Marilena, e a parodiar, amorosamente, o Rauzito: Ô, Marilena, vê se te orienta/ assim dessa maneira, nega/ a larica te arrebenta.

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