Ecce homos

Fotos PÚBLICAS ANTONI AUGUSTO cÂMARA DOS DEPUTADOS
Foto: Antonio Augusto/Câmara dos Deputados

Horrorizam-se por não viverem em outro país,
no país do nunca dantes, na República Socialista da Cocanha

Eis os homens. Podem cuspir na cara deles.

Eis um país, ladies and gentlemen.

Ontem foi um dia da graça. Nunca tantos tiveram tal oportunidade de descobrir o Brasil. Em abril, próximo ao dia 22, que riqueza.

Para que tanta gente horrorizada, meu deus?

Homens e mulheres parlamentares eles são.

Parlamentares degenerados de um país estropiado.

Com vocês, o Legislativo da República Federativa do Brasil. Tão legítimo quanto a Presidência da República.

Os Beto Salame, Junior Marreca, Tiririca, toda essa fauna humana possuí a mesma legitimidade de Dilma Rousseff.

Horrorizaram-se ontem por não viverem em outro país, no país do nunca dantes, o país da Cocanha dos últimos dias, a República Socialista da Cocanha.

Horrorizam-se pelo impacto da bomba: não vivemos naquela outra civilização, onde parlamentares cursam universidades de elite, onde deputados falam com boniteza das causas que defendem. São discretos, bonitos, plurilíngues, quem sabe louros.

Na Cocanha dos novos tempos, causas como família, religião ou o combate à violência foram ultrapassadas por pautas dinamarquesas: ciclovias para todos, SUS para bichanos, banheiros para transgêneros, podem eleger.

Horrorizados do feis e por aí viviam em tal mundo, que a um tempo ideologicamente idealizavam e do qual sensivelmente desfrutavam.

Sentiram na pele arrepiada a democracia possível, a que temos, ainda que, claro, ousar-se-ia dizer: melhor sem eles! Eis o golpe.

Não reconhecer isso, ignorar a realidade, é golpe de vista antidemocrático.

Suas excelências são legião, senhoras e senhores de fino trato.

Sua estipe se fará igualmente representar nas próximas eleições.

Talvez nossos parlamentares devessem vestir perucas, como lordes, ou, sejamos nacionalistas, portar botoques nos beiços, como Kayapós.

Eis o parlamento que o governo petista tentou ignorar e ou comprar, conforme a ocasião. Seu patoá é o patoá do interior e do grotão, brasileiríssimo.

Eis o parlamento que era assim, assim é e assim será por cem anos.

No Congresso Nacional representam o país onde mais da metade das casas não tem esgoto recolhido; onde a quimioterapia de pacientes do SUS é simplesmente interrompida e homens e mulheres são relegados à morte dolorosa.

São o tal Brasil grande que avançou, tal qual se vê nos balanços do publicitário no cárcere.

Ecce homos.

Um deputado cospe na cara de um adversário (um ser abjeto) e o seu gesto encanta muita gente horrorizada com o parlamento podre.

Pobres de nós.

Atualizado em 19/04/2016

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2 comentários em “Ecce homos

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