Quando crescer, quero ser editor de DNA

A reengenharia da vida sonhava com Crispr-Cas9,
uma nova técnica que poderá forjar de uma vez por todas a Humanidade 2.0

CRISPR

Que nossa espécie não é mais aquela, por graça ou desgraça da ciência e da tecnologia, muita gente desconfia.

Pensadores chamam de pós-humano o advento de uma era de seres geneticamente melhorados, mais inteligentes, saudáveis e longevos.

O leitor do blog ou do “Moral das Horas” saberá que tenho certa obsessão com o tema.

Para a Humanidade 2.0 que se vislumbra, seremos lembrados como primatas fundadores da nova ordem; cultural e espiritualmente, como predecessores de uma única idade das trevas.

A ferramenta da reengenharia vital já existe, é barata e pode ser encomendada pela internet. A maravilha responde pelo nome de Crispr-Cas9 (crísper-cás-nove).

Deu na ultima edição da revista “Nature”.

Crispr-Cas9“A genética vive nova revolução, desta vez tão radical que seu alcance é imprevisível”, o doutor Dráuzio Varela havia escrito na “Folha de S.Paulo”, em fevereiro.

Ou, como contam, em artigo publicado hoje, Carlos Eduardo Lima da Cunha e Gabriel Alves: “Uma nova ferramenta de edição genética capaz de mudar completamente o mundo que conhecemos cada vez mais perde o rótulo de promessa e ganha o de realidade”.

Ainda segundo Lima da Cunha e Alves, Crispr-Cas9 “reúne características que surpreendem até mesmo os biologistas mais experientes e está para o genoma assim como um processador de texto está para as palavras e frases de uma redação”.

Crispr é uma coleção de sequências repetidas de DNA que pode orientar a ação em laboratório de uma enzima, Cas9, capaz de agir como “tesoura molecular”.

Os editores da vida, com a nova técnica, estão aptos a alterar a expressão de qualquer gene por meio da introdução de novos trechos de DNA ou do câmbio de uma única “letra” do genoma.

Fala-se com segurança na cura de doenças, no melhoramento genético de alimentos, no combate a pragas e, claro, na iminente aparição do primeiro bebê-Crispr.

Papai e mamãe querem engravidar. Com a ajuda de biólogos consultores e revistas da moda, vão à clínica para definir o formato com que Júnior virá ao mundo.

Inteligência, compleição muscular, cor dos olhos, habilidade musical, além, óbvio, de correção de qualquer defeito genético conhecido, estarão no cardápio das futuras franquias genômicas.

Não se trata, como na piada de Woody Allen, do sofrimento histérico de quem se desespera ao saber que a vida na Terra se extinguirá daqui a 5 bilhões de ano, quando o Sol se apagar.

Parafraseando Drummond, a revolução bate na aorta. Se você nunca pensou no assunto, talvez seja hora de começar a matutar e de sugerir a seu filho o que ele poderá ser quando crescer.

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