“Como é que pessoas honestas, inteligentes e informadas têm o desplante de ignorar a realidade?”

De Ferreira Gullar, hoje, na “Folha de S.Paulo”:

Gular Cortado - Fernando Frazão - Agência Brasil
Fernando Frazão/Agência Brasil

“É então que me pergunto como é que pessoas honestas, inteligentes e informadas têm o desplante de ignorar a realidade para, com isso, justificar uma atitude indefensável; claro, não há argumento que justifique o assalto a uma empresa estatal nem o recebimento de propinas para financiar partidos e campanhas eleitorais. A alternativa que lhes resta, portanto, é fazer de contas que não sabem de nada.” (Grifos do blog).

Gullar é um cronista político sem brilho. Sei disso desde que ele escrevia para O Tempo.

Mas tem o dom de fazer as perguntas certas, de modo simples, que muitos querem fazer, como vimos hoje.

Seus melhores textos tratam de artes plásticas. É um crítico sempre lúcido, didático e claro. Não escreve para acadêmico e curadores que ganham a vida a inventar hieróglifos na linguagem corrente.

O poeta amargava um período de ostracismo —andava longe da unanimidade premiada que se tornou pouco depois— quando o convidamos para escrever em “O Tempo”, ali pelo final dos anos 1990.

Ele nos disse que sua única experiência na crônica havia acontecido décadas atrás, em um jornal maranhense.

Eu editava o “Magazine” e foi o então redator Regis Gonçalves, que o já o havia entrevistado para o caderno, visitando o poeta em seu apartamento da rua Duvivier, em Copacabana, que lhe fez o convite.

Anos mais tarde, Gullar estreou na “Folha” como colunista dominical.

Jamais mencionou seus anos como colaborador de “O Tempo”. Ah, Ingratidão, esta pantera…

Bobagem. Eu o admiro. Quando vou ao Rio me hospedo bem perto do poeta, em casa de uma irmã.

Ao caminhar pelas redondezas do Copa, faço questão de passar em frente ao seu endereço, calmamente, sempre como quem deixa um gerânio em sua janela.

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