Marxismo, religião secular

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Do ensaio  “Adeus a Tudo Isso? Leszek Kołakowski  e o Legado Marxista”.

Tony Judt (1948-2010), grande historiador britânico radicado nos EUA, autor do imperdível “Pós-Guerra”, concorda aqui com o filósofo polonês ao dizer: “Kołakowski tem razão, certamente: o marxismo político é acima de tudo uma religião secular.”

Como sabe todo mundo que tenha lido um pouco, os jovens Marx e Engels converteram o determinismo hegeliano, inserindo uma causalidade material na “razão” histórica, o que foi aplicado a ferro e fogo por Lenin e outros herdeiros inspirados na doutrina.

Leszek Kołakowsk (1927-2009) é ignorado no Brasil, onde a crítica mais sólida à tradição intelectual marxista é banida das bibliografias dos cursos de humanas.

Proibido e perseguido na Polônia, o filósofo se  tornou “fellow” do All Souls College de Oxford, em 1970. Foi uma celebridade no mundo acadêmico europeu e norte-americano.

Segundo Judt, era o mais sofisticado filósofo marxista de sua geração até abandonar seu país, já como dissidente.

Judt avalia a obra mais ambiciosa de Kołakowski sobre o tema, “Principais Correntes do Marxismo”, cuja maior originalidade é a perspectiva polonesa: “Isso provavelmente explica a ênfase de sua obra no marxismo enquanto escatologia – ‘uma variação moderna das expectativas apocalípticas que têm sido contínuas na história europeia'”.

A crítica ao marxismo fundamentada por um intelectual com uma formação de primeira grandeza, que viveu dentro do comunismo, é algo insuportável para os ouvidos de “scholars” ocidentais.

“A aplicação da dialética para perturbar mentes e alquebrar corpos normalmente é esquecida pelos estudiosos ocidentais do marxismo”, diz Judt, ao comentar as provocações da obra do polonês.

No final do ensaio Judt se pergunta se as gerações de radicais da nova esquerda teriam em conta os crimes e fracassos de seus predecessores comunistas. Parece que não. “A história registra que não há nada mais poderoso do que uma fantasia cujo momento chegou”, ele diz.

Citações do livro “Reflexões sobre um Século Esquecido – 1901-2000”, Objetiva, 2008.

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