TV Globo, eterna nêmesis

Quando a emissora começa a fazer jornalismo,
aí piorou. É ainda mais odiada pela militância lulo-petista

Globo Medusa

A Rede Globo é o padrão de antijornalismo ou golpismo favorito da militância de esquerda.

A emissora mudou desde o governo do general Figueiredo e mudou desde o embate eleitoral manipulado entre Collor e Lula.

Mas não avisaram a militância de esquerda. Quem tentou avisar, perdeu seu tempo.

A plim-plim ainda é a nêmesis mitológica da esquerda e das causas sociais.

As palavras de ordem contra a Globo são as mesmas, profundas e criativas como sempre foram: “O povo não é bobo, abaixo etc.”.

A Globo certamente não faz o melhor jornalismo do Ocidente, mas nenhum observador isento dirá que ele não evoluiu nos últimos anos.

Agora, mesmo quem pratica o melhor do gênero do Ocidente, um “The New York Times”, digamos, comete burradas aqui e ali.

A atividade nunca será um pilar da perfeição, mas deve, falando muito por baixo, buscar se corrigir e dar voz às partes envolvidas em um acontecimento.

O “Jornal Nacional” tem feito isso, mais ou menos bem.

“A Globo, ao contrário do que aconteceu inúmeras vezes no passado, está fazendo jornalismo”, escreveu Clovis Rossi, na “Folha”, uma estrela da imprensa brasileira que apenas alguém em crise psicótica pode chamar de golpista.

Pois se a Globo resolveu fazer jornalismo, aí piorou. É ainda mais odiada pelos lulopetista.

Eis a questão. A militância de esquerda — geneticamente resistente à democracia — não perdoa isso, e reagirá sempre com desconfiança.

Para o ser dado ao populismo, bons mesmo e isentos são os blogs pagos por estatais, a “Carta Capital” e um ou outro artigo pinçado alhures de viés favorável ao governo petista.

A Globo é golpista exatamente por fazer jornalismo.

Do ponto de vista da militância petista, a Operação Lava-Jato e seus desdobramentos deveriam ser tratados discretamente pelos telejornais e em notas de pé de página dos jornais que restam.

O mesmo que dizer que a imprensa, boa e domesticada, devesse seguir as inclinações ideológicas dos partidários e varrer a história a eles adversa para debaixo do tapete.

A Globo é golpista por sustentar Eduardo Cunha, ouvi de um amigo petista. Tentei não engolir a bananosa.

Disse-lhe que fazia uns dois meses — ele não notara? — que o JN dedicava cerca de 5 minutos a cada edição para desancar o deputado, ou simplesmente mostrar que Eduardo Cunha é Eduardo Cunha.

“Em casa não vemos o Jornal Nacional”, ouvi como resposta.

Eis o ponto, o busílis, diria um delegado do século passado.

O militante de esquerda, como o Narciso de “Sampa”, a música de Caetano Veloso, acha feio (“golpismo”) na mídia o que não é espelho (ideológico).

Os mais fanáticos entre a militância petista ou mortadela chegam a ameaçar fisicamente os profissionais da TV Globo.

É uma vergonha que jornalistas e intelectuais respeitáveis se deixem acuar pela militância das redes sociais e silenciem diante do fanatismo de possíveis grupos de linchadores — a lembrar Caetano mais uma vez.

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2 comentários em “TV Globo, eterna nêmesis

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