O “GloboNews em Pauta” vai mal das pernas

Para minha surpresa, ambos se disseram impedidos
ou incapazes para falar sobre a decisão do STF quanto à “pílula do câncer” ,
como se estivessem  em uma sabatina escolar
e pudessem refugar diante da tomada do ponto

GloboNews em pauta

O “GloboNews em Pauta” não anda bem das pernas.  E nunca andou, creio.

Mais uma vez, constatei, com sincero pesar, o mau preparo e a superficialidade do time de comentaristas da casa para debater certos assuntos colocados, especialmente os de ciência e medicina — uma deficiência geral na imprensa brasileira, diga-se de passagem.

Na edição de ontem, seus analistas, sempre muito indulgentes, autorreferentes e excessivamente predispostos ao politicamente correto se mostram descabidamente ineptos.

Uma das pautas era a decisão do STF de acatar liminar da Associação Médica Brasileira contrária à liberação da fosfoetanolamina sintética, a popular “pílula do câncer”.

Dada a notícia — muito mal, sem esclarecer a decisão dos ministros e seus argumentos —, o apresentador Sérgio Aguiar passa a bola para Elisabete Pinheiro (uma jornalista cultural sempre concessiva aos produtos de massa sem qualidade) e depois para Gerson Camarotti (excelente jornalista político).

Para minha surpresa, ambos se disseram impedidos ou incapazes para falar sobre o tema, como se estivessem em uma sabatina escolar e pudessem refugar diante da tomada do ponto.

Não que se esperasse deles uma opinião contra ou a favor ao uso do remédio ou à decisão do STF. O tema é muito sensível  e todos sabemos disso.

Mas os dois tinham obrigação de terem feito a lição de casa para explicar à audiência o que está em jogo quando o caso é debatido. É compromisso rudimentar de um jornalista.

O fato de um ser especialista em política e outra em cultura não quer dizer nada no mundo atual, em que tudo se conecta com tudo.

Havia que ser dito o que não pode ser desconsiderado por quem espera entender o problema, o distinto público.

Que o controle de medicamentos é estabelecido por padrões científicos.

Que a medicina e a farmacologia se submetem ao método científico.

Que um novo medicamento, antes de chegar à farmácia, está sujeito a provas de laboratório, testes em cobaias, testes com humanos e, por fim, análise e aprovação da autoridade competente.

Que é isso que nos dá segurança quando procuramos um médico e cumprimos suas prescrições.

Que, por meio do método científico, a pesquisa e a tecnologia médicas têm contribuído para elevar continuamente a expectativa de vida no mundo inteiro.

Que tal fato é irrecorrível e deve ser respeitado.

Que fugir disso é temerário e pode causar danos e sofrimentos a pacientes e seus familiares.

Que o legislador que propôs a lei liberando a fosfoetanolamina e que a presidente de República que a chancelou — num gesto demagógico em seus últimos dias de poder — agiram irresponsavelmente, contrariando as instituições médicas.

Que a aprovação de tal lei nos rebaixou no mundo civilizado.

É o que Beth e Camarotti deveriam ter dito, com as próprias palavras.

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Um comentário sobre “O “GloboNews em Pauta” vai mal das pernas

  1. O tema é muito sensível? A decisão do Supremo deveria ser inquestionável a qualquer um com o mínimo de inteligência e bom senso. Sensível a que? Ao sofrimento diante da brevidade da existência? Paguemos então a pajelança ou os milagres cubanos da cura do câncer. Lembra-se destes?

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