“Modesta proposta” de justiça para Harambe e humanos

Circula na internet uma ideia revolucionária que poderá
resolver o problema dos enlutados pelo gorila Harambe
e o problema das crianças emigrantes
que estão morrendo nas águas do Mediterrâneo

Harambe montagem

  1. O CASO HARAMBE

Mais de 300 mil pessoas pedem justiça na plataforma Change.org para o gorila Harambe, sacrificado no zoológico de Cincinnati, nos EUA, alegadamente como medida extrema de proteção à vida de um menino.

Os signatários clamam pela punição dos pais por terem descurado da segurança da cria e permitido que o filhote Homo sapiens adentrasse o fosso dos símios, causando, assim, a morte de Harambe.

Exigem que o assassinato de Harambe seja investigado e que se apurem as responsabilidades do diretor do zoológico, senhor Thayne Maynard.

Os que pranteiam Harambe também esperam que se esclareçam os porquês de não terem sido empregadas, no lugar da força letal, medidas alternativas, por exemplo, tiro com dardo tranquilizante.

Segundo o célebre primatólogo Frans de Waal, em artigo no “El Pais”,  os tratadores poderiam, ele exemplifica, ter experimentado atrair Harambe com comida e, inclusive, trocar esta comida pela criança, segundo ele, “um procedimento que os símios entendem muito bem”.

De Waal afirma, compungido, que não saberia o que fazer no lugar do diretor do zoológico que ordenou a morte do grande macaco.

O estudioso reconhece que o diretor “não dispunha do vídeo que todos viram pela internet”. A decisão foi tomada em questão de minutos e não havia tempo para se ouvir, ainda conforme de Waal, opiniões divergentes ou examinar provas visuais.

É o mesmo que dizer que não se poderia submeter o conflito entre Harambe e o menino à decisão de um corpo de jurados, com a pronúncia de acusação e defesa e demais procedimentos assentados na lei comum dos povos civilizados.

  1. A APARIÇÃO DO TEXTO

Ao mesmo, a imprensa estrangeira destaca a publicação na internet de trechos de uma contribuição filosófica sobre o caso Harambe atribuído ao doutor Sigismundo Swift, com o título “Uma Nova Modesta Proposta”.

O filósofo, de origem irlandesa, diz compreender a dor dos que padecem por Harambe, e que as justificativas correntes, por mais sensatas pareçam ser, não servirão de consolo para “as milhares de almas Homo sapiens” que clamam por justiça para o gorila vitimado.

Swift reconhece, no mesmo texto, a “legitimidade” da causa dos defensores de patos e gansos em todo mundo, e igualmente a bandeira dos que lutam pela proibição do uso de cobaias animais em testes científicos.

Mais à frente em seu pequeno tratado, conhecido até agora apenas parcialmente, após examinar a questão à luz da história do capitalismo, da filosofia da linguagem e da sociologia da cultura, o doutor Swift lança sua “Nova Modesta Proposta”, uma referência ao libelo de Jonathan Swift, seu parente bem distante.

O descendente Swift apresenta então uma solução de mão dupla, para atender o problema das crianças emigrantes e, ao mesmo tempo, aquele dos defensores da vida animal.

Nós, humanos, poderíamos —caso as ideias do pensador sejam implementadas— nos vermos livres das fotos apavorantes e recorrentes que mostram pequenos corpos sem vida trazidos pelas ondas às praias europeias, por um lado.

Por outro, cobaias como ratos, pombos, macacos e cães seriam libertados do jugo científico; patos e gansos estariam protegidos da ganância dos produtores de fuagrá; por último —mas não menos importante— nós, humanos, promoveríamos a reeducação dos gorilas e outros animais selvagens enclausurados em zoológicos.

O doutor Swift elaborou uma maneira de dar-se sentido à existência de milhares de crianças Homo sapiens que — na tentativa desesperada de escaparem do inferno da guerra, da fome e da perseguição de terroristas, na Síria, na Líbia e em outros rincões do mundo insano— são embarcadas de qualquer maneira com seus pais na esperança de alcançarem uma vida digna na Europa.

O doutor Swift, um filósofo da escola utilitarista, pondera que, como todos nós sabemos, a travessia do Mediterrâneo é impraticável em barcos tão precários quanto botes infláveis. E que as consequências do desespero são terríveis, como todos sabemos, também.

  1. A PROPOSTA, AFINAL

A proposta consiste na formação de um fundo, com contribuição de países ricos, a ser revertido na aquisição dos filhos dos emigrantes.

Com o dinheiro recebido na transação, os  pais poderiam reconstruir suas vidas em outros lugares, onde sejam bem aceitos, como pequenos proprietários, e ali produzirem novos filhos em melhores condições.

As crianças adquiridas seriam, assim, empregadas nos testes de novos medicamentos, com o que se salvarão milhares de vida; bem alimentadas, teriam serventia nas fazendas de produção de fuagrá; e, claro, também na reeducação de gorilas e outros bichos potencialmente danosos ao bem estar do Homo sapiens desprevenido.

No futuro, lê-se em certa passagem de “Uma Nova Modesta Proposta”, quando um pequeno infeliz cair nas mãos de outro Harambe, tal macacão —reeducado graças aos jogos lúdicos praticados entre os animais e as crianças emigrantes— saberá perfeitamente como cuidar do bebê humano e devolvê-lo em segurança aos braços maternos.

Desta forma, jamais veríamos atos da violência inominável como o praticado contra Harambe, um Gorilla beringei beringei.

 

 

 

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s