“A Ditadura Acabada” é o fecho augusto do opus magnum de Gaspari, diz Conti

Gaspari

Da Folha de S.Paulo: “A dupla era trinca” – Mario Sergio Conti

A ditadura acabada é o fecho augusto do opus magnum de Elio Gaspari sobre o mandarinato militar. No todo, são cinco volumes que somam 3.500 páginas. A bibliografia ultrapassa 700 livros e 200 CDs, com 220 horas de diálogos de Ernesto Geisel com assessores. Cerca de 7.000 notas de pé de rodapé amparam cada informação factual. São mais de 200 os entrevistados.

A abundância dos números é excedida pelos seus predicados: arquivos de figuras-chave da ditadura são contrapostos ao testemunho dos seus opositores e da batelada de neutros que se beneficiou, ou foi vítima, da força militar. Forma-se assim o magma no qual se movem Planalto e Casa Branca; sacristias e sindicatos; cárceres e casernas; células clandestinas e luxuosos gabinetes; a tigrada da direita e o terror da esquerda.

A riqueza do material é fruto da energia plutônica do autor, que há 33 anos rala de madrugada, em fins de semana e férias para escrever os livros. A esse empenho concentrado se somam duas décadas prévias de lida com a ditadura, seja como resistente, réu ou repórter.

Militante do PCB antes de 1964, Gaspari foi preso dois meses na Ilha das Flores (na mesma cela de Darcy Ribeiro). Jornalista, veio a cativar chefes do regime, que lhe franquearam documentos secretos. A vivência particular, a memória de elefante e o gosto pela tecnologia digital lhe permitiram cruzar milhares de dados.”

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(…) “Não há paralelo na historiografia brasileira de uma obra com tal envergadura. É o relato mais abrangente e profundo da ditadura. A série tem a vocação de um clássico.

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“Uma tese orienta a série: explicar por que dois generais, Geisel e Golbery do Couto e Silva, estiveram à frente do golpe, batalharam para erguer a ditadura e, quando ela estava pronta, desmontaram-na.

Pela equação, exposta no início do primeiro livro, os dois teriam imposto a sua vontade ao país e à política nacional. Terminado o quinto volume, porém, a antítese também se torna válida: o sacerdote e o feiticeiro foram criaturas de forças sociais e históricas.

Fica evidente, igualmente, o papel preponderante de Heitor Ferreira, um capitão de 27 anos quando do golpe. De cultura mais sólida que os seus mentores, ele traduziu Orwell, sabe Churchill de trás para frente, falava sobre música americana com Ivan Lessa de igual para igual.”

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