“A vida é mais cruel do que vã”

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El Tiempo De Las Viejas (1820), Francisco de Goya. Museu de Belas-Artes, Lille, França

Na padaria Vianney, perto de casa, comi um amor em pedaços.

Eram 7:34 da noite, solstício de inverno.

Segurava um livro de poemas de Eugenio Montale que me custara R$ 10 no saldo da livraria Ouvidor, tempos atrás.

De volta à rua e à lua, vi BH numa bolha do futuro:

Arranha-céus de quartzo roxo, asfalto azul iridescente e estações de metrô violáceas cobriam a antiga província.

Nas estações de metrô se afagavam as mesmas patotas culturais.

Abri o Montale:

La vita è questo scialo
di triti fatti, vano
più che crudele (…)
Addio! — fischiano pietre tra le fronte,
la rapace fortuna è già lontana,
cala un’ora, i suoi volti riconfonde, —
e la vita è crudele più che vana.

E na tradução de Renato Xavier¹

A vida é um esbanjamento
De fatos triviais, vão 
mais que cruel. (…) 
Adeus! sibilam pedras nas folhagens, 
a tormenta voraz já vai distante, 
a hora cai, de novo se confundem as imagens, – 
e a vida é mais cruel do que vã.

(¹) Flussi/Fluxos, em Ossos de Sépia, Companhia das Letras, 2002.
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