Chaui não é mais pícara que outros luminares do lulopetismo

A Circe do lulopetismo, como a chamei, já havia feito do juiz Moro a besta-fera
da reação ao admirável mundo do cavernoso imaginário da esquerda

Chauí Moro

Tem-se visto cada coisa.

O juiz Sérgio Moro então recebeu do FBI (por que não da CIA?, sugere meu compadre), “um treinamento que é característico do Macarthismo”, planeja com os imperialistas norte-americanos a extinção do Mercosul e o roubo das riquezas do pré-sal.

Marilena Chaui é uma intelectual respeitável para muita gente. E isso honra nossa imagem de Bananão, o Bananão do nosso autorretrato pintado por Ivan Lessa.

Está de acordo com o que somos, com nosso escandaloso atraso em saneamento básico e destinação do lixo, inclusive e não por acaso.

Mas a eminente pensadora do lulopetismo (corrente que não dispõe de grande formuladores na academia —e seus cronistas na imprensa são um tanto débeis) não é menos pícara¹ que intelectuais que estão a gozar de mais reverência.

Nossa filósofa pós-doutorada pela Bibliotèque Nationale de Paris, autora do festejado A Nervura do Real, uma interpretação da obra de Baruch de Spinoza, não é mais farsesca do que os 30 articulistas do livro Por Que Gritamos Golpe?, da editora Boitempo, resenhado por Mário Sérgio Conti. Eis uma passagem:

(…) A caricatura aparece num ensaio que sataniza Sergio Moro. O autor tem a risível audácia de comparar o juiz paranaense ao paranoico clássico, analisado por Freud, Daniel Schreber –aquele que, ao comer, jurava que engolia pedaços da língua…

O bestialógico fulgura num texto que relata a saída da presidente do Planalto. Como não se lê um algo tão lancinante todo dia, vale citá-lo extensamente:

“A testa, altiva, passava a imagem dos que não desistem. Os olhos, ah, os olhos. Estavam mergulhados em um lago de lágrimas que escorriam para dentro e os deixavam mais redondos, como o globo térreo a boiar no espaço”.

Com esses olhos não se vê nada. O lago de lágrimas da cafonice afoga qualquer resistência.

Não é mais eutrapélica que a historiadora “dilmista” Hebe Mattos, da Universidade Federal Fluminense, e o grupo Historiadores pela Democracia, cuja ação política refratária a fatos, provas e contraditórios macula sua importante produção historiográfica.

Não é mais irrisória que o ex-bom escritor, se me permitem, Fernando Moraes, que se há muito se desaveio com a razão.

Não é mais bufa que o físico Rogério Cezar de Cerqueira Leite, que comparou a Rousseff a Joana D’Arc.

Não é mais jocosa que o séquito da esquerdofrenia e sua procissão ininterrupta nas redes sociais na defesa do PT, de Lula e Dilma, com um fervor de causar inveja a pregadores do evangelho de Jesus Cristo.

Por que Marilena Chaui deve ser responsabilizada intelectualmente
por coisa mais danosa do que dizer asneiras sobre o juiz Sérgio Moro

Recomendo a quem não viu um post deste jornal um pouco anterior ao JS. Creio que valha a pena lê-lo novamente:  O lulopetismo e o baseado dos intelectuais – Ou, ô, Marilena, eu tô mandando o “Bessias” aí com um suprimento da lata!

A Circe do lulopetismo, como a chamei ali, já havia feito do juiz Moro a besta-fera da reação ao admirável mundo do cavernoso imaginário da esquerda.

No comentário, falei do grande mal que O Que É Ideologia, um livreto de sua autoria, causou a várias gerações de jovens que frequentaram cursos de humanas e ciências sociais no país. Uns dois meses depois, em 30/05, o jornalista Mario Sabino, de O Antagonista, creio que com menos graça, disse algo parecido em uma newsletter do site.

(…) Na década de oitenta, um livrinho de Marilena Chauí antecipava o fenômeno. Intitulava-se “O que é Ideologia” e integrava a coleção “Primeiros Passos”, da editora Brasiliense. O opúsculo serviu para doutrinar milhares de estudantes secundaristas e universitários. A professora da USP, petista de primeiríssima hora, afirmava que tudo — absolutamente tudo — era ideologia, numa simplificação grosseira daquela outra banalização bem mais vasta chamada marxismo.

Para os ideólogos da ideologia onipresente, onisciente e onipotente, os valores morais que erigiram a civilização ocidental são instrumentos de manipulação das “classes dominantes”. Uma forma de manter sob o seu jugo a massa trabalhadora. Transgredi-los em prol da causa socialista é, mais do que desculpável, necessário. Só devem ser esgrimidos para ferir quem discorda de você, como demonstra a interpretação maluca, mas com método, do episódio do estupro coletivo. O “moralismo udenista” tem lá utilidade. (…)

Acrescento, como apêndice, pois remente ao conteúdo do opúsculo da Chaui, o que diz o filósofo britânico Roger Scruton, ao criticar o multiculturalismo (com negrito do JS):

(…) Todas as distinções são “culturais”, portanto, “construídas”, portanto “ideológicas”, no sentido utilizado por Marx — formuladas pelos grupos ou classes dominantes para servir aos próprios interesses para reforçar o poder. A civilização ocidental é simplesmente o registro desses processos opressivos e o propósito principal de estudá-la é desconstruir nosso título de associação como membros. Essa é a crença central que um grande número de estudantes de Humanidades é obrigado a engolir, preferivelmente antes de adquirir uma educação intelectual que permita questioná-la ou posicionar-se contra a literatura que a demonstra insustentável. (Como Ser um Conservador, Record, 2015, pág. 138)

(¹) Eis a grata sinonímia de burlesco proposta pelo Houaiss:

bufo, caricato, caricaturesco, cômico, divertido, engraçado, eutrapélico, faceto, farsesco, gargalhante, gozado, grotesco, hilariante, hilário, hilarizante, irrisório, jocoso, picaresco, pícaro, ridículo, risível.

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2 comentários sobre “Chaui não é mais pícara que outros luminares do lulopetismo

  1. Você é muito elegante. Este pessoal está destruindo o sentido da palavra “intelectual”. Não sei se merecem tanto refinamento. Um palavrão, ou vários, talvez fosse mais apropriado. Mas entendo, resistir à tentação é manter-se fora deste esgoto.

    Curtido por 1 pessoa

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