La Hermandad e os novelões mexicanos

Noveloes

As séries mexicanas que tento ver me lembram das célebres novelas mexicanas.

Regresso à gloriosa era em que Gloria Magadan fazia o Brasil sonhar, lá se vão cinquenta anos.

Tal o grau de canastrice e apelos furrecas daquelas produções.

Deus Inc. (HBO), trama concebida por Sergio Sanchez Suarez e exibida no primeiro semestre de 2016, a despeito do roteiro estapafúrdio, ainda trazia um elenco respeitável.

A direção dos episódios era mais ou menos segura.

Não se permitiam atuações legais para Chispita ou O Direito de Nascer, mas intoleráveis quando a HBO fabrica séries do nível de True Detectives.

Mas Deus Inc. morreu para mim ainda no meio da primeira temporada e, ao que eu saiba, única, por todos os méritos.

Foi demais para este velho coração a cena em que uma beldade adolescente, sem o menor nexo dramático, resolve, como dizer, pegar o filósofo e protagonista Salvador Pereyra (Rafael Sánchez Navarro).

Apenas para enfiarem uma passagem caliente num roteiro destrambelhado.

Com grande abnegação tentei chegar ao fim da primeira temporada da saga vingativa do médico Julio Kaczinski.

Heroicamente, segui La Hermandad — dolorosa bolação de Raul Pietro e Rosa Clemente, dirigida com mão pesadíssima pela dupla Carlos Bolado e Humberto Hinojosa — até o oitavo episódio.

Desisti no ponto em que o ator bonitão Manolo Cardona tem de virar os olhos à direita do enquadramento, na cena dentro de um trailer, toda vez que — assim me pareceu — precisa ler o texto que está a dizer.

A passagem exigiria de um ator digno de sua arte algum desempenho dramático.

Kaczinski buscava nada menos que induzir ao suicídio um dos policiais corruptos que mataram sua mulher.

O Jardim de Bronze

Para este jornal não parecer implicante com os mexicanos: a produção argentina da HBO O Jardim de Bronze é um fiasco, por tudo que podemos esperar de qualidade vindo do audiovisual argentino.

A série em oito episódios, baseada no policial El Jardín de Bronce, de Gustavo Malajovich, ainda sem tradução no Brasil, andou tropegamente e terminou, por falar nisso, como uma novela de Janete Clair, graças aos soluços de um roteiro mal feito.

Todo o mistério desaba no último capítulo. Não é pouca coisa!

A malfadada tentativa de envolver o leitor num clima “noir” perdeu-se nos tropeços de uma trama com personagens sem lastro na história, uma montagem defeituosa e um elenco frágil, a começar de outro galã, o ator Joaquín Furriel, no papel do arquiteto protagonista Fabián Danubio.

O-Jardim-de-Bronze
O arquiteto Fabián Danubio (Joaquín Furriel) em O Jardim de Bronze

 

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